sobre as manhãs cinzentas
08/12/2008
nessas manhãs cinzentas
peitos dilacerados
vidas sem sorrisos
cantam o vazio do concreto
na viola o toque
não toca o coração amarelo
de síndrome hepática
com olhos icterícios
a manhã cinzenta
guarda canos fumegantes
jovens sem sorrisos
que aguardam a vida se extinguir
os corredores, largas avenidas
estreitos vãos dispersos em galerias
são armadilhas da vida
onde as vitrines nos vendem expectativas
no ônibus, máscaras vazias
anunciam no porvir
a cor que esvai do prisma que alimenta o dia
cinza, cinzas a nos consumir
gabriel fernando