estrelas vãs

10/12/2008

onde estarão nossos corações
manchados de terra
sangue, suor… ilusão

estarão nas estrelas vãs
pequeninas brasas dos céus
das noites secretas de comunhão?

ou guardados nas estantes
de corredores estreitos e sombrios
de vastas repartições?

onde guardaram os segredos
os abraços, os risos, os beijos
os templos de nossa indignação?

terão sido enterrados, sumido
no despertar último
de nossas desilusões?

gabriel fernando

nessas manhãs cinzentas
peitos dilacerados
vidas sem sorrisos
cantam o vazio do concreto

na viola o toque
não toca o coração amarelo
de síndrome hepática
com olhos icterícios

a manhã cinzenta
guarda canos fumegantes
jovens sem sorrisos
que aguardam a vida se extinguir

os corredores, largas avenidas
estreitos vãos dispersos em galerias
são armadilhas da vida
onde as vitrines nos vendem expectativas

no ônibus, máscaras vazias
anunciam no porvir
a cor que esvai do prisma que alimenta o dia
cinza, cinzas a nos consumir

gabriel fernando

dessas dores tardias
de fins de tarde

carrego neste peito
ardente, demente, piegas
uma bomba pulsante
de desejos reprimidos

uma dor que se repete
a cada impulso
cada impulso de querer
ser, estar

senhora, meu bem, meu mal
me diga as horas
de roubar seu coração
lançar mão à sua alma

me enredar em seu cordão
esse fio que nos liga a nada
não tem meada
nem fim, nem começo

tudo o que existe é o desejo
e seus medos… meu medo
é que você se vá
antes que eu te mande partir

gabriel fernando

ora, essas manhãs
que acabam nas madrugadas

e as canções
canções noturnas
canções que nos buscam nas madrugadas
essas canções sem fim

tal qual dolores
desconfiadas
e essa noite
ah! essa noite despedaçada

sim! essa noite!
essa noite sem madrugada
está na hora de acabar

gabriel fernando

ora, senhorita
e que dizer
das noites de luar?

cansada a lua
de se insinuar
e um amor nunca encontrar

mingua, mingua, mingua
e vai à sombra da terra
chorar

gabriel fernando

onde andarão as manhãs nervosas
que alimentavam a alma
que traziam o desejo da eternidade

o vazio interior
obcecado por descobertas

onde andarão
os irmãos de mãos dadas
vociferando esperanças
acalentando as angústias

num vórtice ensandecido
de ilusões malfadadas
é aí que estão
é aí que estamos

gabriel fernando